Se
você cursa faculdade, provavelmente já se encontrou com ele, seja nos
corredores ou até mesmo na sala de aula, dependendo do seu curso na faculdade.
Seu estereótipo pode não ser muito previsível como de costume em outras épocas,
mas seu intelecto e ideologia são inconfundíveis.
De
caráter explosivo e dotado de uma noção de justiça que só a si mesmo e a seu
grupo parece fazer sentido, o revolucionário de faculdade é aquele sujeito que
descobriu relativamente cedo os livros e ensinamentos de Marx, e
conseqüentemente Engels; e como de praxe, começou a perceber e reclamar as
injustiças da sociedade moderna, dizendo que riqueza é um roubo e que a
propriedade é uma exploração. Para ele
não há métodos legais de se tornar rico; se alguém é rico saibam que assim
ficou por alguma trapaça ou engenhosidade maligna.
O
revolucionário de faculdade dificilmente pára a fim analisar se a sua recém adquirida
perspectiva social está correta ou não, sequer analisa pormenores da mesma;
para ele, tudo que aprendeu na sua vida até agora foi pura enganação, só o
marxismo faz sentido, só a revolução importa... Revolução essa que, diga-se de
passagem, o revolucionário mal sabe como começar, sendo assim, mergulha numa
sucessão de tentativa e erro a fim de alcançá-la, sendo que suas tentativas vão
de invadir a reitoria da faculdade até montar sindicâncias na mesma.
Engana-se
caro leitor se acha que o revolucionário de faculdade se resume aos marxistas
críticos da ordem econômica e da distribuição de renda, apesar destes serem os
principais há outros pertencentes à mesma espécie, porem, de raças diferentes.
Aqui também podemos encontrar grupos feministas, que por sua vez, não suportam
o status quo da nossa sociedade machista
e patriarcal, sociedade esta onde os homens (não os indivíduos da espécie
humana, mas sim o sexo masculino) ocupam os empregos mais arriscados, são os
únicos obrigados a servirem nas forças armadas, e ocupam os mais cansativos e
braçais serviços, dentre eles o de pedreiro, mesma profissão daqueles que
constroem as faculdades, local onde mais tarde as mulheres os criticarão por
seu machismo e crueldade.
Entretanto,
devemos, caro leitor, voltar nossas análises para o real motivo da indignação e
determinação do nosso amigo revolucionário, afinal queremos saber como ele
ficou assim. Não foram só os livros de Marx e Engels e sua nova perspectiva que
o tornaram esse ser indignado; digo isso porque há indivíduos, muitas vezes a
maioria, que ao lerem os livros do lado esquerdo da biblioteca sequer são
afetados por sua ideologia barata, muitas vezes se tornam mais imunes a tais
masturbações intelectuais, não só isso como também passam a ser indicadores das
falhas de tais doutrinas.
O
que torna um indivíduo um revolucionário nada mais é que o... tédio. Sim caro
leitor, pode parecer tolice da minha parte mas o principal fator que leva um
sujeito qualquer a se engajar em causas de caráter revolucionário nada mais é
que o tédio desse sujeito. Antes de ser o que se tornou, ele não passava de um
jovem despreocupado com a vida que passava grande parte do seu tempo em redes
sociais ou em seus jogos de Playstation; até que um dia se perguntou se sua
vida não teria algum propósito além desse cotidiano ocioso que ele desfrutara;
se perguntou se não havia algo de útil em que empregar o seu tempo e
disposição, até que descobriu os livros e autores que citei anteriormente e daí
já viu né? Mente vazia é oficina do diabo. Em outras palavras, um
revolucionário acadêmico é aquele rapaz que não tem lá muito que fazer da vida,
e para não se sentir mais inútil do que é resolve aderir a uma causa política,
mesmo que não saiba as conseqüências da mesma... Ou melhor, muitas vezes até
sabe, mas prefere ignorá-las, afinal, todo revolucionário já leu ou ouviu de
alguém que os modelos político-sociais que ele apóia não deram certo em lugar
nenhum, mas eles estão sempre em busca de “mais uma tentativa”, e que dessa vez
dará certo, afinal, eles sabem melhor do que ninguém o que estão fazendo.

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