Caro leitor; se você é um
libertário, ou simplesmente conhece a natureza do libertarianismo, deve saber
que prezamos muito pela meritocracia. Caso não saiba o que a meritocracia é,
permita que eu o explique. Meritocracia nada mais é que a política do mérito,
do merecimento, onde o que você ganha é proporcional ao que você trabalhou.
Os benefícios que a meritocracia
traz para a sociedade, quando levada a sério, são excelentes, para não dizer
fundamentais. Quando não há meritocracia, ou seja, quando todos são
recompensados da mesma forma - mesmo quando há alguns que trabalharam mais que
outros -, os que trabalharam mais começarão a se perguntar “por que devo dar
duro se de qualquer maneira vou receber o mesmo que aquele vagabundo ao lado?”;
logo, os trabalhadores irão entrar em um completo estado de vadiagem no
trabalho, onde competirão para ver quem trabalha menos, o que por sua vez irá
gerar produtos mais caros e de qualidade duvidosa.
Explicado o que é a meritocracia,
vamos ao ponto central desse texto: muitos críticos da ordem social argumentam
que a herança é um atentado à meritocracia, uma vez que ela permite que pessoas
que trabalharam pouco – ou quase nada – recebam quantias enormes de dinheiro de
seus pais; sendo assim, a herança fere a meritocracia a partir do momento em
que pessoas que trabalharam pouco recebem grandes quantias monetárias.
O primeiro ponto para a defesa da
herança é que ela é um direito familiar e individual; o doador da herança (os
pais, geralmente) decidiu por vontade própria qual o fim que seu dinheiro
deveria levar após sua morte; se ele decidiu que o dinheiro era de seus filhos,
ou quem quer que fosse o recebedor, sua decisão deve ser mantida por uma
questão de liberdade individual e de como cada um deve usar o próprio dinheiro
da forma que quiser, mesmo que seja após a morte.
Outro ponto a ser levado em
consideração é que as pessoas acreditam que herdeiros de grandes fortunas,
geralmente chamados de “playboys”, não são merecedores de herança porque não
são aptos o bastante para usá-la de forma prudente e responsável a fim de
manter os negócios de seus pais. Em parte esse argumento está certo, mas no
fundo ele não passa de um argumento montado em cima de estereótipos sociais que
nem sempre se confirmam; é verdade que há aqueles herdeiros abastados que
decidem levar uma vida de hedonismo e curtição, mas também há aqueles que
decidem levar uma vida centrada e a manter os negócios dos pais. Além do mais,
conhecimento empresarial não é aprendido por osmose ao dinheiro, se o herdeiro
não se esforçar para se tornar um bom administrador ele não o será, não importa
de quem ele seja filho.
Além do mais, em um ambiente
economicamente livre, isto é, onde há facilidade de empresas e concorrentes
adentrarem no mercado, fica difícil para o herdeiro-hedonista manter sua vida
de farra; isto porque com a forte concorrência dos outros empresários, ele terá
que administrar seu patrimônio de tal forma que possa oferecer bens e serviços
mais baratos e de melhor qualidade que dos concorrentes, e isso meu caro leitor
não é nada fácil. Em outras palavras, as chances de em um ambiente
economicamente livre (concorrencial) as chances de alguém se dar bens sem
preparo são nulas, ou o dito “mauricinho” se esforça ou irá à falência.
Os críticos da herança tem a forte
tendência a olharem as coisas apenas do ponto de vista do herdeiro (os donos
atuais donos dos meios de produção) e se esquecem de olhar do ponto de vista do
consumidor; eles simplesmente ignoram o fato de que não é apenas o dono dos
meios de produção que podem se beneficiar do mesmo, os consumidores são por
excelência os maiores beneficiados dos meios de produção, afinal, são eles quem
usam o que ele produzem. A pura verdade é que os críticos da herança são os
mesmos socialistas críticos do capitalismo e da “desigualdade social”; são
aqueles mesmos militantes movidos pela inveja e na falta de darem um rumo para
suas vidas decidem criticar aqueles que o fizeram.
Agora caro leitor, imaginemos por
um instante que a herança não exista graças a um decreto estatal; digamos que o
governo recolha o dinheiro (capital) e os bens de produção que seriam
destinados aos herdeiros legítimos. Agora o capital e os meios de produção
(empresas, fábricas, maquinário, etc.) pertencem a zeladores encarregados de
cuidar dos mesmos. Como resultado disso teremos o uso do capital para o
benefício dos próprios zeladores; eles não conseguiram o dinheiro por si só,
não são os poupadores legítimos, e como ninguém cuida tão bem do dinheiro
alheio como cuida do próprio, o dinheiro agora será usado para seus fins
egoístas. Isso sem contar o fato de que em se tratando de empresas estatais, as
pessoas que assumem os cargos de presidência e gerencia das empresas não são as
mais aptas para isso, são sim aquelas que possuem bons contatos no meio
político, são aquelas mais politizadas e influentes e não as mais eficientes;
logo, todo o meio empresarial será composto por empresários ineficientes e medíocres.
Em suma, a herança não é danosa
para a sociedade e para os consumidores desde que haja um ambiente
economicamente livre, coisa que todos os libertários lutam. Além do mais, a
herança é um direito individual do “doador” uma vez que cada um deve escolher
qual o fim que seu dinheiro deve levar. Sem contar o fato de que não é só o herdeiro
dos bens de produção que se beneficiam do mesmo e sim todos os consumidores.

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