quarta-feira, 13 de junho de 2012

Nada é mais democrático que o mercado


Como foi dito no meu texto anterior A Faláciada Democracia, a democracia como é entendida por “governo de todos” não passa de um mito e uma falha lógica do ponto de vista filosófico. Isso se dá, como eu disse antes, por dois motivos principais:

      1)      É impossível criar um governo que atenda as exigências de todos. Isto ocorre porque as pessoas divergem entre si e há opiniões que são impossíveis de conviverem com outras, e eleições fazem apenas com que a preferência de uma maioria, muitas vezes ridiculamente maior, seja atendida.

     2)      O governante pode faltar com suas promessas. Tal fato não é raro, basta olharmos para qualquer político alguns meses após sua eleição e veremos que ele está muito longe de cumprir o que havia prometido. O que por sua vez irá tornar a democracia conveniente apenas para o governante.

Com base nos dois motivos citados acima, podemos concluir que uma instituição é democrática quando atende as exigências de todos e não de uma maioria; e colateralmente, não crie uma situação favorável a apenas um individuo; também concluímos que a natureza do Estado não é democrática porque ele não atende a essas exigências. Definida a democracia (não referente a governo, mas a sua essência) vamos agora à definição de mercado.

Do ponto de vista econômico, o mercado é o lugar (não necessariamente espacial) onde há pessoas vendendo bens e serviços e pessoas dispostas a comprar tais bens e serviços, em outras palavras, é o lugar onde o interesse dos compradores se encontra harmonicamente com a oferta dos vendedores. Há ainda o pormenor de que o mercado que aqui nos referimos é o livre mercado, não um mercado controlado por uma ordem governamental, tampouco influenciado pela mesma. É um mercado livre de burocracia, impostos baixos (até mesmo inexistentes), onde comerciantes podem entrar nele quando bem entenderem a fim de venderem seus produtos e serviços.


Com base no que foi dito acima, fica claro os motivos do (livre) mercado ser a instituição mais democrática que existe.

      1)      O mercado atende a exigência de todos e não de uma maioria.
Uma coisa é certa, onde há gente disposta a comprar haverá gente disposta a vender. Com base nisso podemos perceber que não importa o quão diminuto seja o número de compradores de um determinado produto, sempre haverá gente para vendê-lo desde que haja gente para comprá-lo. Não é raro vermos no mercado produtos cuja demanda é muito pequena, entretanto, ainda assim há vendedores e comerciantes do mesmo. Com certeza muitos de vocês caros leitores, ao lerem o cardápio de uma pizzaria, já viram aquela pizza de combinação estranha e perguntaram consigo mesmo “que tipo de gente pede uma pizza dessas?”; mas por mais horrível que ela pareça, há sim pessoas que pedem aquela pizza, caso contrário ela não estaria no cardápio porque vendedor nenhum coloca produtos a disposição que não tenha pessoas interessadas em comprar; isso seria o mesmo que correr atrás do prejuízo.

O mesmo fenômeno nós observamos em relação a roupas, comidas, carros, acessórios variados, etc. Mesmo que haja um grupo muito pequeno de compradores para um determinado produto, esse produto estará à disposição.



 Além do mais, a vontade da maioria nesse caso não será um impedimento à vontade da minoria, diferente do que acontece no Estado. No Estado ocorrem situações em que a vontade e ideologia da maioria impedem a da minoria, exemplo: a maioria é contra a destinação de verbas para a construção de um determinado hospital, porém, a minoria é a favor da destinação de verbas para a construção desse hospital em questão; logo, fica impossível das duas vontades serem atendidas. Tal complicação não ocorre no mercado. Se a maioria das pessoas preferem chocolate preto isso não frustrará a compra da minoria que prefere chocolate branco; as empresas apenas produzirão chocolate branco em uma quantidade menor que a de chocolate preto.

    2)      No mercado não há como faltarem com a palavra, tampouco não há a formação de privilegiados.

No Estado, como foi dito antes, o governante pode muito facilmente faltar com sua palavra e governar a fim de beneficiar a si mesmo, dando de vez em quando algum agrado à sua população no intuito de distraí-los. Porém, situação semelhante não é encontrada no livre mercado, isto porque aqueles que falham em sua promessa perdem crédito com os clientes, e tendo em vista que no livre mercado a concorrência é forte, este comerciante “enganador” irá sair de cena devido à falta de capital.

Não vamos nos esquecer que também há a questão da formação de privilegiados. No Estado o governante se torna um sujeito privilegiado devido ao seu poder e influencia, e ninguém poderá reclamar disto, afinal, foi eleito pela maioria através de um instrumento totalmente democrático. Mas no mercado os únicos que são privilegiados são os consumidores; eles quem decidem o que deve ou não ser comercializado. É através de sua compra que os comerciantes e produtores vão perceber o que devem ou não colocar à venda. Afinal, as pessoas não bebem porque existem lojas de bebidas; existem lojas de bebidas porque as pessoas bebem.
Muitos devem estar se perguntando agora: “mas no mercado há pessoas que se tornam muito ricas, isto não seria a formação de gente privilegiada?”

Sim; de fato há pessoas que conseguem uma enorme fortuna por meio de suas vendas no mercado, mas contrariando o que muitos pensam à primeira vista, essas pessoas não são exatamente privilegiadas. Tais pessoas só chegaram a esse patamar de riqueza porque conseguiram, por meios honestos e legais, conquistas uma quantidade enorme de clientes, logo sua fortuna é o reflexo da satisfação das pessoas por seus produtos e serviços. Sem falar que grande parte da fortuna das pessoas mais ricas do mundo é uma fortuna que elas não podem usufruir, uma vez que necessitam de uma grande quantia de capital a ser reinvestido para a continuidade da produção, isto é: concerto do maquinário, contratação e aprimoramento da mão-de-obra, desenvolvimento de formas mais baratas e sofisticas de produção, etc.

Há ainda o detalhe que estes ostentadores de grandiosas fortunas são incrivelmente pressionados pelos clientes. Quanto maior o império industrial de alguém, maior será a quantidade de clientes que ele terá que conquistar e manter o respeito, afinal, o mercado não é para principiantes.

Em suma: se instituição democrática é aquela que consegue atender o desejo de todos ao mesmo tempo, sem privilegiar maiorias (ou até mesmo minorias) e que não haja a formação de indivíduos privilegiados pela natureza da própria instituição; podemos concluir que a instituição mais democrática do mundo é o mercado.

Um comentário:

  1. Gostei :) Pode ser relacionado a esse texto que critica a "democracia", como ela existe hoje:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287

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