Como
foi dito no meu texto anterior A Faláciada Democracia, a democracia como é entendida por “governo de todos” não
passa de um mito e uma falha lógica do ponto de vista filosófico. Isso se dá,
como eu disse antes, por dois motivos principais:
1)
É
impossível criar um governo que atenda as exigências de todos. Isto ocorre
porque as pessoas divergem entre si e há opiniões que são impossíveis de
conviverem com outras, e eleições fazem apenas com que a preferência de uma
maioria, muitas vezes ridiculamente maior, seja atendida.
2)
O
governante pode faltar com suas promessas. Tal fato não é raro, basta
olharmos para qualquer político alguns meses após sua eleição e veremos que ele
está muito longe de cumprir o que havia prometido. O que por sua vez irá tornar
a democracia conveniente apenas para o governante.
Com
base nos dois motivos citados acima, podemos concluir que uma instituição é
democrática quando atende as exigências de todos e não de uma maioria; e
colateralmente, não crie uma situação favorável a apenas um individuo; também
concluímos que a natureza do Estado não é democrática porque ele não atende a
essas exigências. Definida a democracia (não referente a governo, mas a sua
essência) vamos agora à definição de mercado.
Do
ponto de vista econômico, o mercado é o lugar (não necessariamente espacial)
onde há pessoas vendendo bens e serviços e pessoas dispostas a comprar tais
bens e serviços, em outras palavras, é o lugar onde o interesse dos compradores
se encontra harmonicamente com a oferta dos vendedores. Há ainda o pormenor de
que o mercado que aqui nos referimos é o livre mercado, não um mercado
controlado por uma ordem governamental, tampouco influenciado pela mesma. É um
mercado livre de burocracia, impostos baixos (até mesmo inexistentes), onde
comerciantes podem entrar nele quando bem entenderem a fim de venderem seus
produtos e serviços.
Com
base no que foi dito acima, fica claro os motivos do (livre) mercado ser a
instituição mais democrática que existe.
1)
O
mercado atende a exigência de todos e não de uma maioria.
Uma
coisa é certa, onde há gente disposta a comprar haverá gente disposta a vender.
Com base nisso podemos perceber que não importa o quão diminuto seja o número
de compradores de um determinado produto, sempre haverá gente para vendê-lo
desde que haja gente para comprá-lo. Não é raro vermos no mercado produtos cuja
demanda é muito pequena, entretanto, ainda assim há vendedores e comerciantes
do mesmo. Com certeza muitos de vocês caros leitores, ao lerem o cardápio de
uma pizzaria, já viram aquela pizza de combinação estranha e perguntaram
consigo mesmo “que tipo de gente pede uma pizza dessas?”; mas por mais horrível
que ela pareça, há sim pessoas que pedem aquela pizza, caso contrário ela não
estaria no cardápio porque vendedor nenhum coloca produtos a disposição que não
tenha pessoas interessadas em comprar; isso seria o mesmo que correr atrás do
prejuízo.
O
mesmo fenômeno nós observamos em relação a roupas, comidas, carros, acessórios
variados, etc. Mesmo que haja um grupo muito pequeno de compradores para um
determinado produto, esse produto estará à disposição.
Além do mais, a vontade da maioria nesse caso
não será um impedimento à vontade da minoria, diferente do que acontece no
Estado. No Estado ocorrem situações em que a vontade e ideologia da maioria impedem
a da minoria, exemplo: a maioria é contra a destinação de verbas para a
construção de um determinado hospital, porém, a minoria é a favor da destinação
de verbas para a construção desse hospital em questão; logo, fica impossível
das duas vontades serem atendidas. Tal complicação não ocorre no mercado. Se a
maioria das pessoas preferem chocolate preto isso não frustrará a compra da
minoria que prefere chocolate branco; as empresas apenas produzirão chocolate
branco em uma quantidade menor que a de chocolate preto.
2)
No
mercado não há como faltarem com a palavra, tampouco não há a formação de
privilegiados.
No
Estado, como foi dito antes, o governante pode muito facilmente faltar com sua
palavra e governar a fim de beneficiar a si mesmo, dando de vez em quando algum
agrado à sua população no intuito de distraí-los. Porém, situação semelhante
não é encontrada no livre mercado, isto porque aqueles que falham em sua
promessa perdem crédito com os clientes, e tendo em vista que no livre mercado
a concorrência é forte, este comerciante “enganador” irá sair de cena devido à
falta de capital.
Não
vamos nos esquecer que também há a questão da formação de privilegiados. No
Estado o governante se torna um sujeito privilegiado devido ao seu poder e
influencia, e ninguém poderá reclamar disto, afinal, foi eleito pela maioria
através de um instrumento totalmente democrático. Mas no mercado os únicos que
são privilegiados são os consumidores; eles quem decidem o que deve ou não ser
comercializado. É através de sua compra que os comerciantes e produtores vão
perceber o que devem ou não colocar à venda. Afinal, as pessoas não bebem
porque existem lojas de bebidas; existem lojas de bebidas porque as pessoas
bebem.
Muitos
devem estar se perguntando agora: “mas no mercado há pessoas que se tornam
muito ricas, isto não seria a formação de gente privilegiada?”
Sim;
de fato há pessoas que conseguem uma enorme fortuna por meio de suas vendas no
mercado, mas contrariando o que muitos pensam à primeira vista, essas pessoas
não são exatamente privilegiadas. Tais pessoas só chegaram a esse patamar de
riqueza porque conseguiram, por meios honestos e legais, conquistas uma
quantidade enorme de clientes, logo sua fortuna é o reflexo da satisfação das
pessoas por seus produtos e serviços. Sem falar que grande parte da fortuna das
pessoas mais ricas do mundo é uma fortuna que elas não podem usufruir, uma vez
que necessitam de uma grande quantia de capital a ser reinvestido para a
continuidade da produção, isto é: concerto do maquinário, contratação e
aprimoramento da mão-de-obra, desenvolvimento de formas mais baratas e
sofisticas de produção, etc.
Há
ainda o detalhe que estes ostentadores de grandiosas fortunas são incrivelmente
pressionados pelos clientes. Quanto maior o império industrial de alguém, maior
será a quantidade de clientes que ele terá que conquistar e manter o respeito,
afinal, o mercado não é para principiantes.
Em
suma: se instituição democrática é aquela que consegue atender o desejo de todos
ao mesmo tempo, sem privilegiar maiorias (ou até mesmo minorias) e que não haja
a formação de indivíduos privilegiados pela natureza da própria instituição;
podemos concluir que a instituição mais democrática do mundo é o mercado.

Gostei :) Pode ser relacionado a esse texto que critica a "democracia", como ela existe hoje:
ResponderExcluirhttp://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1287